Fala Senhores e Senhoras, tudo conforme os freios…rs, tudo bem?

Claro que hoje temos muitas teorias sobre o assunto, muitas formas de usar o sistema de freio da motocicleta, seja combinando ou não. Alguns acham que o seu jeito é o ideal, outros se fundamentam em vivências antigas, outros em anos de habilitação, mas qual o certo?

Uma coisa é certa, independentemente de qualquer teoria e experiência:

  1. Freio dianteiro é o que para a motocicleta.
  2. Freio traseiro é o que dá estabilidade/centraliza a motocicleta (mantém a direção)
  3. Freio motor (a queda de rotação e a redução das marchas)

Uso urbano:

O que realmente define a distância de frenagem da motocicleta é a capacidade do seu sistema de freios, a velocidade em que você trafega e o acionamento correto do mesmo. Saber frear uma motocicleta corretamente é essencial para a sua segurança.

Não se preocupe em acionar mais fortemente o freio dianteiro: ao contrário do que alguns pensam a motocicleta não irá capotar, e ainda, a distância de frenagem será muito menor. Em todas as motos o sistema de freio mais potente está sempre na roda dianteira.

Para as frenagens normais do dia a dia (em piso asfaltado) acione os freios dianteiro e traseiro de forma simultânea e progressiva, sendo 70% no freio dianteiro e 30% no traseiro, ao mesmo tempo em que reduz as marchas. Sugiro que treine bem a sensibilidade e força aplicada. Como normalmente fazemos mais força no dianteiro é comum não prestarmos atenção na força do traseiro e assim aumentamos as forças juntas. Lembre-se: a força aumenta somente no dianteiro.

Nas motos sem ABS é importante acertar na sensibilidade dos comandos, de forma que se acionem os freios sem provocar o travamento das rodas. (Vale lembrar que a pressão a ser aplicada no manete de freio pode variar bastante de uma moto para outra, dependendo da sensibilidade dos comandos).

Em uma frenagem de emergência, acione os comandos com mais força e sempre progressivamente, principalmente no dianteiro, sem reduzir as marchas porque não haverá tempo para isto. Caso esteja com melhor precisão e familiarizado com o sistema de freio da sua moto, mate a embreagem totalmente, assim a moto não irá morrer.

Muito cuidado para não travar as rodas, pois o veículo fica incontrolável, provocando derrapagem com provável queda. Ainda que esta não ocorra, a distância de frenagem aumentará sensivelmente. Nas frenagens, enquanto as rodas girarem, a motocicleta estará controlável e freando em menor espaço. Se sentir a iminência de travamento, alivie a pressão no manete. A tendência ao travamento é maior em pisos molhados, sujos, com pedriscos, areia, e com pneus carecas.

Por isso é importante e eu não canso de dizer o famoso “tempo de voo” em cima da motocicleta. Perceber como a moto reage, nesse caso ao comandar os freios num determinado piso ou situação, para a redução adequada da velocidade e no espaço necessário. Enquanto o piloto sentir que há aderência pode continuar freando. Só não pode alicatar de vez, exagerando na frenagem. O piloto deve levar sempre em consideração o tipo de piso, sua aderência e a inércia da moto (massa X velocidade). Preste muita atenção nestas variáveis enquanto você pilota e, novamente, procure praticar bastante para conhecer bem as reações de sua moto.

Em descidas longas ou acentuadas, combine o uso dos freios com o freio- motor, reduzindo as marchas. Evite acionar os freios de forma continuada, pois eles poderão superaquecer, diminuindo sua eficiência (principalmente utilizando flexíveis originais). Nestas situações, use-os, portanto, de forma intermitente.

Importante:
Nunca use os freios quando estiver passando dentro de um buraco, mas sim antes de chegar a ele. Ao entrar num buraco, a suspensão dianteira precisa estar com seu curso máximo “disponível” para a absorção do impacto. Outro detalhe com que se deve tomar cuidado é quando estiver passando sobre as faixas pintadas que dividem as pistas ou assinalam travessia de pedestres: sob chuva elas ficam lisas e as frenagens podem provocar derrapagens.

Dica com garupa:
Essa é uma situação especial em que se deve usar 100% do freio traseiro. Rodando com garupa, especialmente com as superesportivas, em meio ao trânsito pesado, em baixa velocidade, o garupa é lançado para cima do piloto a cada freada (mesmo tendo experiência e bem posicionado)Então, nesta situação, para evitar o constante “apoio em suas costas” e manter o mesmo em seu devido lugar, acione somente o freio traseiro para atenuar o problema (haverá menos transferência de massa).

 

Curiosidades em um uso Racing (somente autódromos):
Para pilotos mais experientes ou profissionais de competição com motos superesportivas em um circuito fechado, existem algumas técnicas diferentes de frenagem.

Uma delas, por exemplo: Quando a moto roda em alta velocidade, a partir de 200 km/h, a força inercial produzida pela moto (peso X Velocidade) é tão grande que, mesmo que o piloto aplique “grande força” no freio a roda dificilmente irá travar (claro que pode ocorrer uma fechada, mas digo em uma situação normal sem terceiros). Por isso, nesta situação, no momento da frenagem, o piloto aplica a seguinte técnica: milésimos de segundos antes de entrar com força máxima no freio dianteiro, o piloto aciona o freio traseiro para a moto “assentar” e estabilizar a dianteira, em seguida aplica força máxima no freio dianteiro, e assim que a velocidade começa a cair (e também a inércia) ele vai aliviando a pressão para não provocar o travamento das rodas (principalmente a dianteira). Sem acionar primeiro o freio traseiro, a roda dianteira poderá “sair” por falta da pressão necessária ao “grip”. Esta técnica, repito, só é aplicada em alta velocidade. Ela exige muita sensibilidade do piloto e bastante treino, num lugar seguro, preferencialmente em um autódromo, para evitar acidentes.

Outra técnica interessante é o Trail braking:

Técnica de condução onde os  freios  são usados além da entrada da curva, principalmente o dianteiro e vão sendo aliviados conforme a inclinação vai aumentando. Isso facilita para ultrapassagens ou mesmo abrir vantagem. É necessário um sistema de freio eficiente, bem calibrado e o mais importante: a sensibilidade do piloto (um erro, mais ou menos força é queda na certa).

Resumindo, o que é importante?

Numa emergência, independentemente da técnica usada, é acionar o freio com a maior rapidez possível, pois quanto mais rápido você acionar o freio, menor será a distância total de frenagem necessária, já que no momento inicial de acionamento você estará percorrendo o maior número de metros por segundo. Mas para isso é importante pilotar com muita atenção, ligado a tudo o que acontece no trânsito para que o tempo de reação aos comandos de parada (ou desvio) seja o menor possível.

Let’s together, forte abraço…

Durval Careca

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